Jardim
Sei que prometi tentar escrever textos mais felizes, mais carregados de energias positivas.
Mas a verdade é que, para ser a pessoa positiva que acredito ser no dia a dia, tenho que deixar as energias negativas em algum lado. E escolhi este espaço para isto.Hoje estou num dia "não". Não vou dizer um dia mau, mas sim um dia "não".
Hoje é daqueles dias em que estou mais em baixo, com um nevoeiro mental que me nega a luz do dia. Eu sei porque estou assim, sei exatamente por que estou a sentir-me desta forma.
Sinto-me rodeado de pessoas, mas sozinho. Outra vez.
Sinto a vida a passar-me por entre os dedos, como um peixe que tentamos agarrar com as nossas mãos no meio do rio. Sinto-me estagnado. Sinto-me isolado.
Sou demasiado exigente com a minha própria vida, quero tudo perfeito, quero ser perfeito e, no meio disto tudo, não consigo perceber que é nessa imperfeição que está o que tanto procuro.
Recentemente, comecei a sentir saudades... não estava à espera, mas começaram a aparecer. Queria ter tido oportunidade de lhe dizer, mas já vou tarde e agora não posso fazer nada. Não o farei porque sei que pode cair mal e arruinar o bom momento que ela está a passar. Apanhou-me desprevenido, sem estar à espera... só me resta que isto seja passageiro.
A juntar a isto, a Francisca, a minha primeira namorada (ou talvez a única), ficou noiva. Já estava à espera. Fiquei contente por ela, mesmo muito contente, ela merece. A maneira como acabámos foi péssima, para não dizer horrível, e durante muito tempo guardei-lhe muito rancor. Hoje, só quero que ela esteja bem, e foi isso que lhe disse. Se ela estiver bem, eu vou estar bem.
Mas não vou ser inocente, sei que, em parte, esta notícia mexeu de alguma forma comigo. Já estava mais "sensível" a não saber lidar com a saudade, e esta notícia fez-me sentir ainda mais isolado. Fez-me sentir que toda a gente consegue seguir um novo rumo, um novo caminho, e eu estou estagnado, a caminhar em areias movediças: por cada passo que dou, mais me enterro.
Estou farto!
Quero viver a minha vida ao máximo, quero deixar de tentar apanhar peixes no rio com as minhas próprias mãos e começar a deixar-me levar pela corrente.
Quero deixar de me sentir parado no meio de uma rotunda movimentada sem que ninguém me veja. Quero que alguém pare e me dê boleia.
Quero deixar de estar rodeado, mas a sentir este vazio e o peso de ser só mais um na vida das outras pessoas.
Acredito que sou uma pessoa que dá sempre o melhor de si aos outros, mas não tenho dado o melhor de mim a mim mesmo.
Recentemente deparei-me com um ditado popular, que acredito ser alemão, que diz: “If you chase butterflies they'll fly away”, que traduzindo diz: “Se correres atrás das borboletas, elas vão voar para longe”, e talvez este seja o meu problema. Quero demasiado o que procuro, o que faz com que isso fuja sempre de mim.
O que eu não sabia era que o ditado completo diz: “If you chase butterflies they'll fly away, but if you build a garden they will come”, que traduzindo diz: “Se correres atrás das borboletas, elas vão voar para longe. Mas se plantares um jardim, elas virão ter contigo”.
Acredito que a segunda parte deste ditado possa, em alguma medida, ser a solução para o meu estado de espírito. Tenho que aprender a gostar de mim, a exigir o que é melhor para mim em vez da perfeição.
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Não sei como vão ser os próximos dias, nem os próximos tempos, esta saudade está a causar algum impacto, mas o que sei é que vou tentar abstrair-me e tentar cuidar do meu “jardim”. Focar-me em mim, dedicar-me a mim mesmo.
Espero que no próximo desabafo, as energias sejam mais positivas.
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