Ser Português é viver Junho.
Tenho as calças a cheirar a sardinhas.
Que bom ser português, que bom que é ser português neste mês: junho.
Junho não tem limites, junho é alegria, junho é vida, junho é sardinhas, junho são bifanas queimadas encharcadas em sopa de cerveja.
"São 5 jolas, João!"
Viver a alma de Portugal é sair à rua em junho.
É viver os dias longos do ano, sem medo que a noite surja.
O dia é longo, a noite é quente e a festa permanente.
A bola de Berlim — com creme —, a amêijoa ao final do dia e o prego no pão regado em alho.
São as noites infindáveis, os quilómetros nocturnos, contrastantes com as sestas de areia intercaladas com o mergulho gelado na água do mar.
É o churrasco de domingo ou o robalo grelhado ao final do dia.
Sopa de peixe! Quero uma, se faz favor.
Junho é o calor que se abriga nas casas dos lisboetas sem pagar renda, que nos obriga a dormir de janela aberta ou a beber uma a mais do que se devia.
É ser-se amigo do desconhecido e fazer da esquina casa de banho.
É o estendal de roupa a cheirar a sardinha ou o chouriço no caldo verde.
Danças, abraços e os beijos descomplexados que compõem junho, que fazem de ti — desconhecido; de nós — amigos.
É a música a unir o que nos separa.
O Homem do Leme aos berros e...
Ser português é viver junho.
Todos os dias deviam ser junho.
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