Palavras que o vento desarrumou
Sopra o vento,
Fujo do sentimento,
quero o meu alento.
Não digo nada,
nada quero dizer.
Apenas sinto
aquilo que sonho ser.
Um abraço,
que solde o estilhaço,
que me livre deste embaraço,
que seja compasso
do caminho que traço.
Fora de mim
sou estrangeiro,
marinheiro capturado,
a viver em cativeiro.
Dentro de mim,
sou verdadeiro,
o meu melhor conselheiro.
Palavras amontoadas,
pensadas,
calculadas,
o vento desarrumou,
gritou,
Mas não as levou!
Palavras são sentimentos,
mantimentos
de quem faz das emoções
as melodias das suas canções.
O vento pode gritar,
mas nunca as vai levar.
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