Esta é a minha voz

É meia noite, 

acendo a lareira, 

sento-me no sofá, 

e deixo-me ir. 


Ponho uma música a tocar, 

preciso de companhia, 

quero-te a ti.


Musica atrás de música, 

melodia atrás de melodia, 

e eu...

e eu a trautear a memória.


Pego no caderno, 

e de caneta na mão esquerda, 

subjugo-a aos meus pensamentos. 


Começo a escrever sem rumo, 

sem julgamento,

com sentimento.


Deixo-me ir, 

como um barco de papel num rio, 

que da sua nascente, 

procura a foz. 


Esta é a minha voz. 


Agora caminho sem limites, 

rodeado dos meus pensamentos, 

como um astronauta,

que se liberta da sua nave.


Não tenho limites, 

entro em espiral. 


Nesta realidade, 

não sinto o peso de falhar,

não sinto o peso de agradar, 

não sinto o peso de magoar. 


Nesta realidade sou eu, 

o mais puro eu, 

que se procura encontrar.


Aqui lembro-me de ti,

aqui revivo-te.

Tu estás aqui!


Neste espaço sou feliz, 

(não que não seja fora, 

porque sou.) 

Aqui permito-me viver, 

aquilo que não me deixei na realidade. 


24/01/2026





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