Sinto-me Frustrado
Quem aqui passa deve achar que sou uma pessoa sombria, que está sempre em baixo, que nunca está satisfeita. Engane-se.
Sou um sortudo, sou muito feliz. Ou pelo menos tento ser.
Os meus últimos 2 anos, foram incríveis, cheios de emoção, crescimento e boas recordações. Talvez isso explique a minha ausência deste espaço neste período... Sou um escritor desabafos, já se percebeu.
Sinto-me Frustrado.
Sinto-me Perdido.
Eu adoro a minha vida. Sei que sou um privilegiado. Sei isso tudo. Não me digam isso outra vez. Adoro viver, ok?
Mas estou em baixo, preciso de escrever para me libertar.
Como disse, a minha vida nos últimos 2 anos foi incrível - mesmo - em especial os últimos 11 meses.
Aconteceu tanta coisa... mudei de trabalho, sai de casa dos meus pais, voltei para lá, passei uma tormenta profissional, mudei de trabalho, fui aumentado, fui criticado, fui elogiado, parti um carro, comprei um, conheci pessoas, viajei, apaixonei-me...perdi-me.
Estou frustado, tudo o que queria ser quando tivesse 27 anos, não sou. Sou só um miúdo de 16 anos, com mais pelos e alguns pelos brancos na barba. Não tenho casa própria, não tenho namorada, não atingi nenhum sucesso profissional digno de registo, nem uma meia maratona fiz.
Como disse, apaixonei-me e perdi-me.
Conheci uma miúda, a Inês (nome fictício....ou talvez não, não sei) , foi tudo tão bom durante 11 meses... mesmo bom, a roçar o prefeito. Mas acabou e voltei a estaca zero e isso deixa-me frustrado. Deixa-me ainda mais frustrado porque fui eu que acabei, tentei dar tudo mas já não tinha mais nada para dar, e ela merecia o mundo e eu só lhe conseguia dar a minha rua.
Deixa-me frustrado querer dar tudo mas não conseguir, porque infelizmente, talvez não fosse a tal.
Agora, estou mais vazio, sozinho e mais frustrado. O que me apazigua é saber que foi a decisão certa. Ela merece ser feliz, merece estar disponível para conhecer alguém que lhe dê o mundo e não apenas a sua rua. Foi a pensar nela que decidi que tínhamos que acabar.
Agora não é fácil, nunca é.
Por isso é que aqui estou, desabafo para um auditório vazio, em que eu ouço as minhas próprias palavras no eco da paredes. Ajuda-me a sentir o que sinto sem julgar que sinto o que digo que sinto. Confuso mas faz sentido.
Quando escrevo para esta folha perdida na dimensão digital, embora saiba que qualquer pessoa pode ver - sei que sou eu o único que lê. E isso de certa forma alivia-me, porque quando leio de novo os meus desabafos sinto exatamente aquilo que escrevo e não apenas aquilo que julgo sentir e digo que sinto. É terapêutico.
Desculpa Inês.
Comentários
Enviar um comentário